Escore de ultrassom pulmonar maior ou igual a 6 prevê a necessidade de terapia com surfactante na síndrome de aspiração de mecônio O escore obtido pelo ultrassom pulmonar na SAM dentro dos primeiros 30 minutos de internação apresentou acurácia preditiva quase perfeita para a necessidade de terapia com surfactante, com área sob a curva (AUC) de 0,999 (IC 95%, 0,997–1) no ponto de corte de 6 pontos. Em coorte prospectiva multicêntrica com 218 recém-nascidos a termo e pós-termo, o escore de ultrassonografia pulmonar (LUS, lung ultrasound score) alcançou 100% de sensibilidade e 98,6% de especificidade. A avaliação morfológica precoce pelo método identificou 63,7% dos recém-nascidos elegíveis antes mesmo de atingirem a fração inspirada de oxigênio de 50%. No ponto de corte ótimo de 6 pontos em escala de 0 a 18, o escore de ultrassom pulmonar apresentou AUC de 0,999 (IC 95%, 0,997–1), sensibilidade de 100% e especificidade de 98,6% para predizer a indicação de reposição de surfactante. A acurácia preditiva do ultrassom foi estatisticamente superior à gasometria com pH arterial (AUC de 0,906; p < 0,001) e ao estadiamento por radiografia de tórax (AUC de 0,539; p < 0,001). Na regressão logística multivariável ajustada por idade gestacional, sexo, fração inspirada de oxigênio, grau de radiografia de tórax e pH, o escore manteve associação independente com o uso de surfactante (OR 2,73; IC 95%, 1,00–3,81). Entre os 80 recém-nascidos que receberam surfactante, 63,7% (51 pacientes) apresentavam escore maior ou igual a 6 quando a fração inspirada de oxigênio ainda era menor ou igual a 50%. Sobre o artigo Título original: Lung ultrasound score > 6 predicts surfactant administration decisions in meconium aspiration syndrome: a multicenter prospective study Autores: Qi Chen, Zekai Yu, Lei Cao, Wei Xiong et al. Revista: Jornal de Pediatria Ano: 2026 Tipo de estudo: Estudo observacional, prospectivo e multicêntrico DOI: https://doi.org/10.1016/j.jped.2026.101529 Objetivo Avaliar o valor preditivo do escore de ultrassonografia pulmonar para predizer a necessidade de terapia com surfactante em recém-nascidos diagnosticados com síndrome de aspiração de mecônio. Métodos Estudo prospectivo e multicêntrico realizado em duas unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN) terciárias e acadêmicas na China. Foram incluídos recém-nascidos a termo e pós-termo (idade gestacional de 37 a 42 semanas), internados entre 2019 e 2025, com líquido amniótico meconial grau III, desconforto respiratório exigindo suporte ventilatório na UTIN (não invasivo ou invasivo) e diagnóstico clínico de síndrome de aspiração de mecônio (SAM). Foram excluídos recém-nascidos saudáveis em alojamento conjunto, portadores de malformações congênitas maiores ou graves e portadores de pneumopatias congênitas. O ultrassom pulmonar à beira do leito foi realizado na admissão (tempo mediano de 10 minutos após a entrada, sem ultrapassar 30 minutos) por médicos treinados e avaliado por examinadores cegados para o quadro clínico. Adotou-se o protocolo de 6 zonas (3 por hemitórax), pontuando de 0 a 3 em cada uma (escore total de 0 a 18): 0: aeração normal com deslizamento pleural e linhas A ou menos de 3 linhas B isoladas; 1: redução moderada da aeração com 3 ou mais linhas B e/ou pequena consolidação focal; 2: redução grave com linhas B confluentes ou consolidação maior envolvendo mais de duas áreas somadas; 3: consolidação extensa com broncogramas aéreos e/ou atelectasia, padrão tecidual. A equipe assistente permaneceu estritamente cega para as imagens e pontuações do ultrassom. A decisão de administrar surfactante seguiu a rotina institucional padrão via tubo orotraqueal baseada exclusivamente em fraqueza de oxigenação: fração inspirada de oxigênio (FiO2) > 0,5 e/ou índice de oxigenação (OI) > 8. O desfecho principal avaliado foi o desempenho diagnóstico do escore de ultrassom para predizer o uso do surfactante por meio de curvas ROC, regressão logística multivariável e análise de curvas de decisão. Principais resultados: o que o estudo mostrou sobre ultrassom pulmonar na SAM Ao todo, 218 recém-nascidos foram analisados, dos quais 80 receberam surfactante e 138 não receberam. Características basais: O grupo que utilizou surfactante apresentou escore de ultrassom significativamente maior (mediana de 8,5 vs. 4,0; p < 0,001), FiO2 maior (mediana de 50% vs. 30%; p < 0,001), índice de oxigenação maior (mediana de 10 vs. 7; p < 0,001), pH mais baixo (mediana de 7,08 vs. 7,21; p < 0,001) e maior tempo de internação hospitalar (mediana de 8 vs. 6 dias; p < 0,001). Não houve diferença significativa entre os grupos para sexo (p = 1,00), idade gestacional (mediana de 40 vs. 39 semanas; p = 0,704), grau radiológico (p = 0,413) e incidência de complicações como hipertensão pulmonar persistente neonatal (p = 0,134). Desempenho diagnóstico: No ponto de corte ótimo de 6 pontos (definido pelo índice de Youden), o LUS obteve AUC de 0,999 (IC 95%, 0,997–1), sensibilidade de 100%, especificidade de 98,6%, acurácia de 93,1%, valor preditivo positivo de 90,2% e valor preditivo negativo de 100%. Comparação com outros parâmetros: O LUS score superou o pH arterial (AUC de 0,906; IC 95%, 0,868–0,945; p < 0,001) e a classificação por radiografia de tórax (AUC de 0,539; IC 95%, 0,470–0,608; p < 0,001). Superou numericamente o índice de oxigenação (AUC de 0,9673; p = 0,021) e a FiO2 (AUC de 0,9527; p = 0,015). Análise multivariável: Na seleção com regularização L1, o LUS score manteve-se como preditor independente de uso do surfactante com odds ratio ajustado de 2,73 (IC 95%, 1,00–3,81), enquanto idade gestacional, sexo, FiO2, grau radiológico e pH não apresentaram associação independente significativa no modelo final. Subgrupos: O desempenho manteve-se alto em ventilação mecânica invasiva (n = 134; AUC de 0,997; IC 95%, 0,992–1), ventilação não invasiva (n = 84; AUC de 1,000; IC 95%, 1–1), recém-nascidos de 37 a 39 semanas (n = 113; AUC de 0,998; IC 95%, 0,995–1), de 40 a 42 semanas (n = 105; AUC de 1,000; IC 95%, 1–1) e naqueles sem hipertensão pulmonar persistente (n = 216; AUC de 0,999; IC 95%, 0,997–1). Correlação e utilidade clínica: Houve forte correlação linear positiva entre o escore e a FiO2 na admissão (r = 0,763; p < 0,001). Dos recém-nascidos tratados, 63,7% (51 de 80) atingiram LUS maior ou igual a
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