Infecções respiratórias em crianças: sintomas e gravidade

Sintomas e desfechos de patógenos respiratórios em lactentes e crianças na coorte IMPRINT As infecções respiratórias em crianças apresentam apresentações clínicas que variam amplamente conforme o agente e a idade, sendo que lactentes com menos de 1 ano apresentaram chances significativamente maiores de desconforto respiratório/dispneia por influenza A (OR = 4,73), VSR A (OR = 2,52) e SARS-CoV-2 (OR = 3,99) quando comparados a crianças de 1 a 5 anos. Em contrapartida, 78,4% dos episódios sintomáticos foram manejados exclusivamente no domicílio, sem necessidade de consulta médica. Além disso, infecções assintomáticas foram detectadas em todos os patógenos, atingindo 7,6% na influenza e 10,2% no vírus sincicial respiratório (VSR). Pontos-chave Lactentes com menos de 1 ano tiveram chances elevadas de desconforto respiratório e atendimento em emergência ou internação para influenza A (OR = 4,73 e OR = 4,18), VSR A (OR = 2,52 e OR = 3,24), VSR B (OR = 2,22 e OR = 2,45), hMPV (OR = 2,36 e OR = 9,83) e SARS-CoV-2 (OR = 3,99 e OR = 3,75) em comparação com crianças de 1 a 5 anos. Para o VSR, a chance de desconforto respiratório/dispneia decresceu aproximadamente pela metade a cada ano adicional de vida da criança (VSR A: OR = 0,50; IC 95%: 0,36–0,69; VSR B: OR = 0,62; IC 95%: 0,40–0,96). A influenza A cursou com maiores chances de febre (OR = 2,77; IC 95%: 1,24–6,21) e de anorexia (OR = 2,94; IC 95%: 1,32–6,57) em relação à influenza B. Manifestações de gastroenterite aguda (diarreia e/ou vômito) foram relatadas em 36,7% dos episódios de influenza A, 32,1% de influenza B, 28,5% de VSR A e 27,8% de VSR B. Das 15.898 infecções respiratórias sintomáticas analisadas, 78,4% receberam apenas cuidados domiciliares sem ida a serviços médicos. Sobre o artigo Título original: Symptoms Associated With Respiratory Pathogens in Young Children: 2019-2025 Autores: Daniel C. Payne, Huan Xu, Allison R. Burrell et al. Revista: Pediatrics (Volume 158, Número 2, Agosto de 2026: e2025074681) Tipo de estudo: Estudo de coorte de nascimento longitudinal, prospectivo DOI: https://doi.org/10.1542/peds.2025-074681 Objetivo Descrever os perfis de sintomatologia e os desfechos de atenção médica atribuíveis a episódios de infecção do trato respiratório por patógenos específicos em uma coorte pediátrica acompanhada prospectivamente. Métodos Trata-se de uma análise da coorte de nascimento prospectiva IMPRINT conduzida na região metropolitana de Cincinnati, Ohio, Estados Unidos, entre novembro de 2019 e agosto de 2025. Foram incluídas díades de mães saudáveis (idade mínima de 18 anos, parto a partir de 34 semanas gestacionais) e seus filhos acompanhados desde 2 semanas até os 5 anos de vida. Semanalmente, as mães coletavam swabs nasais de corneto médio nas crianças, independentemente de sintomas, com coletas adicionais se houvesse sintomas. As mães preenchiam questionários de sintomas duas vezes por semana, permanecendo cegas aos testes laboratoriais. As amostras foram testadas por reação em cadeia da polimerase por transcriptase reversa (RT-PCR) multiplex, usando o painel Luminex NxTAG (para 21 alvos virais e bacterianos) e o ensaio CDC Flu SC2 (influenza A, B e SARS-CoV-2). Episódios de infecção foram pareados com sintomas relatados no intervalo de 7 dias antes ou após o primeiro teste positivo. Coinfecções foram excluídas para permitir a análise da sintomatologia isolada de cada microrganismo. A amostra final compreendeu 15.898 episódios de infecção em 1.223 crianças únicas. Os desfechos primários incluíram sintomas clínicos (desconforto respiratório/dispneia, sistêmicos, otorrinolaringológicos, gastroenterite aguda e ausência de sintomas) e o nível máximo de assistência médica requerido (visita a hospital/pronto-socorro, atendimento de urgência, ambulatório/consultório, tratamento domiciliar ou ausência de assistência por ser assintomático). Principais resultados: o que o estudo mostrou sobre infecções respiratórias em crianças Distribuição global e sintomas comuns: Coriza seguida de tosse foram as queixas mais reportadas em todos os vírus respiratórios. Entre os episódios sintomáticos, 78,4% foram tratados em casa e 21,6% demandaram atendimento médico. Vulnerabilidade dos lactentes (< 1 ano): Em comparação aos participantes de 1 a 5 anos, os lactentes apresentaram razão de chances (odds ratio - OR) aumentada para desconforto respiratório/dispneia durante infecções por: Influenza A: OR = 4,73 (IC 95%: 1,98–11,30; p < 0,01); SARS-CoV-2: OR = 3,99 (IC 95%: 2,12–7,53; p < 0,01); VSR A: OR = 2,52 (IC 95%: 1,45–4,38; p < 0,01); Metapneumovírus humano (hMPV): OR = 2,36 (IC 95%: 1,26–4,43; p < 0,01); VSR B: OR = 2,22 (IC 95%: 1,26–3,88; p < 0,01). Não houve diferença estatisticamente significativa quanto ao desconforto por idade para parainfluenza (p = 0,10) ou influenza B (p = 0,36). Necessidade de atendimento hospitalar ou pronto-socorro: A probabilidade de requerer visita a hospital ou emergência nos lactentes (< 1 ano) versus crianças de 1 a 5 anos foi significativamente superior nas infecções por hMPV (OR = 9,83; IC 95%: 2,02–47,82), influenza A (OR = 4,18; IC 95%: 1,45–12,09), SARS-CoV-2 (OR = 3,75; IC 95%: 1,46–9,60), VSR A (OR = 3,24; IC 95%: 1,54–6,79) e VSR B (OR = 2,45; IC 95%: 1,06–5,64). Perfil do VSR e otalgia: A prevalência de desconforto respiratório foi a mais alta no VSR B (16,3%) e no VSR A (12,6%). A cada incremento de um ano de idade, as chances de desconforto reduziram-se significativamente (VSR A: OR = 0,50, IC 95%: 0,36–0,69; VSR B: OR = 0,62, IC 95%: 0,40–0,96). Otalgia ocorreu de forma constante em aproximadamente 1 a cada 6 crianças infectadas por VSR e hMPV. Diferenças entre Influenza A e B: A influenza A apresentou prevalência expressiva de febre (73,5%) e de anorexia (53,8%). Comparada à influenza B, a infecção por influenza A associou-se a chances quase 3 vezes superiores de febre (OR = 2,77; IC 95%: 1,24–6,21; p = 0,01) e de anorexia (OR = 2,94; IC 95%: 1,32–6,57; p = 0,01). Gastroenterite aguda concomitante: Diarreia e/ou vômitos foram documentados em 36,7% dos episódios de influenza A, 32,1% de influenza B, 28,5% de VSR A, 27,8% de VSR B, 18,9% de parainfluenza, 17,6% de hMPV e 17,1% de SARS-CoV-2. Infecções assintomáticas: Foram detectados quadros assintomáticos em 7,6% das infecções por influenza e 10,2% por VSR. Nos lactentes com menos de 1 ano, a proporção de infecções

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