Telemedicina em emergência pediátrica: impacto no cuidado

Telemedicina vs consulta telefônica e a qualidade do cuidado médico em departamentos de emergência pediátrica comunitários A telemedicina em emergência pediátrica por vídeo não aumentou o escore geral de qualidade do cuidado médico prestado em comparação à consulta por telefone (média de 25,2 vs 25,3 pontos; coeficiente ajustado = -0,21; IC 95%, -0,83 a 0,41; p = 0,51). Em análise de 696 crianças atendidas em 15 serviços de emergência rurais e comunitários nos Estados Unidos, a pontuação por domínios clínicos permaneceu semelhante entre as duas modalidades. Diante da evidência prévia de que o vídeo reduz transferências hospitalares no mesmo estudo original, o benefício da tecnologia parece residir na coordenação do fluxo e na tomada de decisão sobre transferências, sem alterar métricas mensuráveis de qualidade do processo assistencial. Em análise por intenção de tratar com 696 crianças menores de 15 anos, o escore total de qualidade foi de 25,2 (DP = 3,5) na telemedicina e 25,3 (DP = 3,5) no telefone. No modelo de regressão linear de efeitos mistos ajustado, a modalidade de consulta não se associou ao escore total de qualidade (coeficiente = -0,21; IC 95%, -0,83 a 0,41; p = 0,51). Os escores nos 5 domínios avaliados não apresentaram diferenças estatisticamente significantes, com maior pontuação em plano de disposição e seguimento (5,7 vs 5,8) e menor em coleta inicial de dados (4,8 vs 4,7). A idade do paciente foi o único preditor independente de maior qualidade do cuidado em todos os modelos (coeficiente = 0,21; IC 95%, 0,16 a 0,27; p < 0,001 na intenção de tratar). Sobre o artigo Título original: Video vs Telephone Consultations for Pediatric Quality of Care in Emergency Departments Autores: Sarah C. Haynes, Nathan Kupperman, Julia N. Magaña et al. Revista: Pediatrics Ano: 2026 Tipo de estudo: Análise secundária pré-especificada de ensaio clínico randomizado pragmático em clusters, cruzado (crossover) DOI: 10.1542/peds.2025-074639 Objetivo Avaliar o impacto das interconsultas por telemedicina com especialistas em terapia intensiva pediátrica, comparadas às interconsultas telefônicas, sobre a qualidade do cuidado médico prestado a crianças gravemente enfermas em departamentos de emergência rurais e comunitários. Métodos Análise secundária pré-especificada de ensaio clínico randomizado pragmático em clusters e cruzado, não balanceado (3 períodos de 6 meses para telemedicina e 1 para telefone), conduzido entre setembro de 2014 e março de 2018 em 15 departamentos de emergência rurais e comunitários na Califórnia (EUA) vinculados ao UC Davis Children's Hospital. Foram incluídas crianças menores de 15 anos cujos médicos solicitaram interconsulta ou transferência pediátrica de terapia intensiva. Casos de trauma foram excluídos. A qualidade da assistência médica foi mensurada por revisão implícita cega de prontuários médicos realizada independentemente por dois especialistas certificados em emergência pediátrica, utilizando instrumento validado com 5 domínios (escala de 5 a 35 pontos): coleta de dados, raciocínio clínico/diagnóstico, plano terapêutico inicial, plano de disposição/seguimento e qualidade geral. Foram executadas análises por intenção de tratar, tratamento recebido e per-protocolo através de modelos de regressão de efeitos mistos ajustados por idade, gravidade clínica pela ferramenta RePEAT (Revised Pediatric Emergency Assessment Tool) e período do estudo, com intercepto aleatório para agrupamento por hospital. O que o estudo mostrou sobre telemedicina em emergência pediátrica Foram incluídos 696 pacientes (idade média de 4,39 anos na telemedicina e 3,67 anos no telefone; 80,4% e 75,5% cobertos por Medicaid/outros seguros públicos ou sem seguro, respectivamente): Análise por intenção de tratar (ITT): 537 alocados para telemedicina e 159 para telefone. A pontuação total média de qualidade foi de 25,2 (DP = 3,5) na telemedicina versus 25,3 (DP = 3,5) no telefone. A regressão de efeitos mistos demonstrou coeficiente de -0,21 (IC 95%, -0,83 a 0,41; p = 0,51). Domínios específicos (ITT): Coleta de dados (4,8 vs 4,7), formulação de diagnóstico (5,1 vs 5,0), plano e ordens terapêuticas iniciais (4,8 vs 4,8), plano de disposição e seguimento (5,7 vs 5,8) e qualidade geral do atendimento (4,8 vs 4,9) não diferiram estatisticamente. Tratamento recebido e per-protocolo: Na análise de tratamento recebido (251 receberam vídeo e 445 telefone), a média total foi de 25,3 vs 25,2 (coeficiente = -0,36; IC 95%, -0,91 a 0,18; p = 0,19). Na análise per-protocolo (228 telemedicina vs 136 telefone), o escore foi de 25,2 vs 25,1 (coeficiente = -0,31; IC 95%, -1,92 a 1,29; p = 0,70). Fatores preditores e subgrupos: Idade avançada associou-se significativamente a maiores escores de qualidade em todos os modelos (coeficiente = 0,21; IC 95%, 0,16 a 0,27; p < 0,001 na ITT e tratamento recebido; coeficiente = 0,29; IC 95%, 0,21 a 0,36; p < 0,001 no per-protocolo). Casos respiratórios (asma, chiado e desconforto respiratório) tiveram maior probabilidade de receber telemedicina nas análises per-protocolo e de tratamento recebido (p = 0,001 e p < 0,001, respectivamente). Confiabilidade interobservador: O coeficiente kappa ponderado entre os avaliadores variou de 0,27 (plano de disposição) a 0,40 (qualidade geral). Conclusão dos autores Entre crianças gravemente enfermas atendidas em serviços de emergência comunitários e rurais, as consultas por telemedicina não estiveram associadas a diferenças na qualidade da assistência médica em relação às consultas por telefone. No contexto de reduções previamente relatadas nas transferências inter-hospitalares, esses achados sugerem que o valor primário da telemedicina nesse cenário reside na melhora do acesso, na coordenação do cuidado e nas decisões de disposição, e não na alteração da qualidade mensurável do processo de atendimento médico. O que muda na prática O suporte via telemedicina por vídeo e o contato telefônico com intensivistas pediátricos entregam níveis equivalentes de qualidade técnica no atendimento inicial em emergências gerais. A escolha da telemedicina não deve ser motivada pela expectativa de transformar os procedimentos e a conduta clínica imediata do médico plantonista. A modalidade de vídeo mantém relevância documentada na otimização de transferências inter-hospitalares e na discussão de quadros com expressiva semiologia visual, como desconforto respiratório grave. Limitações Adesão e crossover: Alta taxa de não adesão na alocação da intervenção; apenas 42,5% (228/537) dos pacientes no braço de telemedicina efetivamente receberam a interconsulta por vídeo. Poder estatístico: O estudo original não calculou poder amostral específico para identificar pequenas diferenças no escore secundário de qualidade

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